O Vinho do Porto contado como deve ser

Por Mariana Moura
Vinho do Porto

As ondas batem violentamente contra a madeira, fazendo-a chiar. Balançamos de um lado para o outro, com frequentes abanões e turbulências que nos desequilibram. Viajamos através das frias águas do Oceano Atlântico num galeão do século XVII. Um calor sufocante entre gritos anglo-saxónicos apodera-se do porão do navio. É aqui que encontramos a sua preciosa e bem amarrada carga, uma iguaria altamente apreciada pelos mais sibaritas: o vinho do Porto

Estamos perante o vinho fortificado mais famoso do nosso país, e cada vez mais reconhecido internacionalmente. Uma delícia concebida para acompanhar as eternas conversas de antes e depois de jantar. Nasceu como uma experiência de comerciantes ingleses, que adicionavam brandy ou aguardente ao vinho para que suporta-se as péssimas condições dos navios.

Esta é a sua grande peculiaridade. Os elaboradores interrompem o processo de fermentação adicionando aguardente vínica, o que confere ao vinho a sua particular doçura natural e carácter forte. Um símbolo nacional deste nível merece uma homenagem. Por isso, dia 27 de Janeiro, comemoramos o Dia Internacional do Vinho do Porto.

Pipas Vinho do Porto

Um pouco de história

O Tinto de Portugal, como era chamado antigamente, era elaborado na zona actualmente conhecida como Vinho Verde até 1678. Com o tempo, os britânicos foram perdendo o interesse por ele, de maneira que os produtores decidiram mudar a sua área de produção para a Serra do Marão

A partir desse momento, os famosos rabelos começaram a transportar as barricas ao longo do Douro, até chegar à sua foz em Vila Nova de Gaia. Nas caves, os vinhos envelheciam o tempo necessário, enquanto esperavam para serem exportados para Inglaterra. Desta forma, surgiu a febre pelo vinho do Porto, com cada vez mais navios a fazerem a viagem entre ambos países.

Mais tarde, o Marquês de Pombal decidiu estabelecer os limites geográficos e os regulamentos para a elaboração deste tipo de vinho. Umas normas que prevalecem até hoje em dia.

Tipos de vinho do Porto

White ou Branco

É elaborado a partir de uvas brancas do Douro, tais como Rabigato ou Viosinho, e permanece em balseiros de madeira entre um e três anos. Como resultado, obtém-se um vinho muito fresco, ideal para beber em cocktails mas também por si só. Se o experimentar com os seus aperitivos favoritos, garantimos-lhe que o prazer será infinito. Coloque na sua mesa frutos secos, tais como amêndoas, um pouco de salmão defumado, fruta fresca, queijos curados e azeitonas. Vai ver.

Ruby

Nasce das uvas tintas da região, Touriga nacional, Touriga franca ou Tinta roriz, entre muitas outras, e é envelhecido em balseiros durante dois ou três anos. O Ruby é um vinho com uma intensa cor granada e sugestões de frutos silvestres. É ideal para quem deseja iniciar-se neste mundo. Um queijo mais salgado, tipo gorgonzola ou parmesão, será o seu parceiro de dança perfeito. No entanto, se preferir algo doce, não falha o chocolate com frutos vermelhos. De facto, na minha opinião, não há nada melhor do que morangos com este tipo de porto. 

LBV

O Late Bottled Vintage é um Ruby elaborado a partir de uvas de uma única vindima. Normalmente, os vinhos do Porto elaboram-se com as uvas obtidas de diferentes colheitas, razão pela qual nunca têm um ano no rótulo. A partir das mais excepcionais elabora-se este tipo de vinho. Neste caso, permanece mais tempo a estagiar em balseiros, durante cerca de três ou quatro anos. 

Tawny

Talvez os mais conhecidos a nível internacional. Os Tawny são elaborados da mesma forma que os Ruby, mas finalizado o tempo de envelhecimento no balseiro, são transferidos para pipas de carvalho. A combinação de madeira e oxigénio proporciona a característica cor âmbar e os traços de frutos secos, que são também um excelente acompanhamento. Experimente com sobremesas à base de castanhas e queijos maturados, não se vai arrepender. 

Envelhecido

São muito apreciados. Vinhos avermelhados envelhecidos entre dez e quarenta anos. Vinhos velhos que aumentam o seu valor económico à medida que passam mais tempo em barricas. Como resultado, tendem a ser mais doces e mais licorosos do que os anteriores.

Colheita

Tal como os LBV, utilizam-se exclusivamente uvas de uma colheita excepcional, e permanecem em barricas durante pelo menos sete anos. O resultado é um vinho de cor castanha clara e muito mais suave.

Vintage

Verdadeiras jóias de colecionador, extremamente invulgares. São criados com as melhores uvas procedentes de colheitas excelentes. Depois de dois anos em balseiros, o vinho é engarrafado e permanece durante vários anos mais a refinar em caves pouco luminosas. La crème de la crème.

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